A redução de juros no crédito imobiliário e ampliação nas formas de renegociação de financiamento atrasado, anunciada nesta semana pela Caixa, favorece o mercado imobiliário, que já comemora as boas novas. Depois de uma fase crítica, o setor está em franca recuperação desde 2017.
Além de um aumento nos lançamentos e nas vendas de imóveis novos, as novas medidas prometem aquecer também o segmento de imóveis usados, com o aumento da cota de financiamento. As medidas beneficiam sobretudo quem adquiriu imóveis no programa Minha Casa, Minha Vida.
Em entrevista exclusiva ao Jornal de Jundiaí, Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação, esclarece que no pacote de boas notícias divulgadas pela Caixa, destacam-se o aumento da cota de financiamento de imóveis usados para 80%. Esse aumento, segundo o economista, foi gradual.
“A elevação dos 70% anteriores para 80% dá uma dinâmica muito maior para a venda de usados. Além disso, a baixa anunciada na taxa de juros para 8,5% favorece a competitividade entre as taxas oferecidas pelos bancos, no momento em que o cliente pesquisa antes de fechar o negócio. A Caixa é formadora de mercados e detém dois terços do crédito imobiliário do País”.
Com as mudanças anunciadas, consolida-se uma tendência de baixa dos juros do crédito imobiliário. Petrucci analisa como favorável o descolamento do mercado imobiliário da situação político-econômica, quando se compara os quatro primeiros meses de 2019 ao mesmo período do ano anterior. Na análise nacional, conforme levantamento, o economista cita um aumento da ordem de 4% nos lançamentos e de 10% nas vendas de imóveis novos.
Ele cita ainda a preocupação com o FGTS, ressaltando que os recursos estão limitados, o que pode comprometer as operações no próximo trimestre, dependendo de como o mercado se comportar.
“É importante que os poderes caminhem com as reformas para trazer mais confiança aos empreendedores e também aos clientes. Nada será a curto prazo como acontecia lá em 2009. Devemos considerar também que o setor de Construção Civil gerou mais empregos de janeiro a abril de 2009 do que no ano todo de 2018”.
Ele classifica o atual momento como um ciclo virtuoso, com novas obras e novas contratações.
Redução dos juros no crédito imobiliário reforça otimismo de compradores
O analista financeiro Thainan Ferreira Santana, 29 anos, comprou um apartamento de 2 dormitórios em Jundiaí, junto com sua noiva. A assinatura do contrato de compra do imóvel na planta ocorreu em novembro do ano passado. Com as rendas somadas, o casal fez o financiamento por 30 anos, com recursos do FGTS, no programa Minha Casa, Minha Vida. “A entrega está prevista para a partir de abril de 2021. A burocracia é inevitável, mas não há do que reclamar. Vamos pagando e essa redução nos juros nos deixa mais tranquilos e otimistas”, avalia Thainan.
Fonte: Jornal de Jundiaí
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